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Bastidores

Trabalhando até os 104 com Oscar Niemeyer

O método de projeto, a rotina de estudo e a curiosidade que sustentaram setenta e oito anos de trabalho.

Trabalhando até os 104 com Oscar Niemeyer

Oscar Niemeyer nasceu no Rio de Janeiro em 1907 e se formou pela Escola Nacional de Belas Artes em 1934. Projetou o conjunto da Pampulha aos trinta e poucos anos, participou da equipe internacional que desenhou a sede da ONU em Nova York, assinou os edifícios de Brasília, viveu e construiu na Europa, recebeu o Pritzker em 1988 e seguiu entregando projetos depois dos cem. Morreu em dezembro de 2012, dez dias antes de completar 105 anos, com trabalho em andamento no escritório de Copacabana. O que sustenta uma carreira dessa extensão não é o talento isolado, e sim um método de trabalho que ele repetiu por décadas.

Pense deitado, desenhe em segundos. O método de Niemeyer era mental. Ele resolvia o projeto na cabeça, às vezes por semanas, antes de tocar no papel. Quando desenhava, o traço saía em segundos, porque a arquitetura já estava pronta por dentro.

Se a ideia é boa, cabe num esboço. Niemeyer defendia que um bom projeto se explica em poucos riscos de caneta. A Catedral de Brasília e o Museu de Arte Contemporânea de Niterói nasceram de desenhos rápidos, depois sustentados por anos de cálculo estrutural.

Escreva para testar a ideia. Terminado o projeto, ele redigia um texto explicativo. Se a explicação ficava difícil, o problema estava no projeto, e ele voltava à prancheta. A clareza funcionava como controle de qualidade.

Estude o que não é da sua área. Passados os 90 anos, Niemeyer organizava aulas semanais de filosofia e cosmologia no escritório, com professores convidados, para ele e os amigos. Lia, escrevia livros de memórias e publicava crônicas. A curiosidade seguiu em obras junto com os prédios.

Sustente a mesma convicção por décadas. Contra o ângulo reto da arquitetura moderna, ele escolheu a curva. Defendeu essa escolha por oitenta anos, contra modas e críticas, e a coerência tornou cada obra dele reconhecível à primeira vista.

Não trate a idade como prazo. O Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, foi inaugurado quando ele tinha 95 anos. O Centro Niemeyer, na Espanha, aos 103. As encomendas seguiram chegando porque ele seguiu entregando.

Cerque-se de gente mais nova. No escritório conviviam estagiários e parceiros de gerações diferentes, e ele dizia aprender com eles. A curiosidade não envelheceu porque nunca ficou sozinha.

Você Sabia?

Aos 39 anos, Niemeyer integrou a equipe internacional que projetou a sede da ONU em Nova York. O esquema final aprovado partiu do desenho dele, o de número 32. O terreno onde o prédio está foi doado por outro personagem desta série, John D. Rockefeller Jr.

“Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher amada. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein.” – Oscar Niemeyer, em As Curvas do Tempo

Luiza indica

Luiza Queiroz, head de Comunicação Estratégica do Grupo Turim, indica três caminhos para quem quiser se aprofundar no assunto.

As Curvas do Tempo, de Oscar Niemeyer (livro). As memórias do próprio arquiteto, publicadas aos 90 anos: a infância no Rio, Brasília, o exílio e a origem do Poema da Curva que fecha este post.

A Vida É Um Sopro (documentário). Feito com longas entrevistas com Niemeyer em vida, traz o pensamento, o traço e o humor do arquiteto, na voz dele.

Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba (visita). O museu que ele projetou aos 94 anos e que leva seu nome, conhecido como o Olho, reúne a maior coleção dedicada ao arquiteto dentro de uma obra dele mesmo.

25/09/2026

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