Um rei coroado, um cometa no céu, uma invasão pelo mar. Tudo bordado à mão, há quase mil anos.
Com 68 metros de comprimento, a Tapeçaria de Bayeux narra os acontecimentos que levaram à Batalha de Hastings, em 1066, quando Guilherme, Duque da Normandia, conquistou a Inglaterra. Apesar do nome, a obra é um bordado feito com fios de lã sobre linho.
Foi produzida na Inglaterra poucos anos depois da batalha, provavelmente por bordadeiras inglesas. Um trabalho inglês contando a derrota inglesa, que passou os nove séculos seguintes na França, onde se tornou símbolo do patrimônio nacional.
Entre as 627 figuras bordadas está o cometa Halley, que cruzou o céu em 1066. Na obra, ele aparece sobre o rei Harold, recém-coroado, como mau presságio da queda que viria meses depois.
A Tapeçaria de Bayeux em números:
- 68 metros de comprimento
- 9 painéis de linho
- 4 corantes, criando uma multiplicidade de tons
- 5 tipos de ponto
- 1065 e 1066, os anos retratados
- 627 figuras
- 6 mulheres
- 737 animais
- 23 árvores e 416 outras plantas
- 37 navios
- 33 edifícios
O empréstimo levou anos de negociação entre a França e o Reino Unido, e só se tornou possível porque o museu de Bayeux fechou para uma grande reforma. O transporte exigiu meses de preparação, uma operação de alta segurança e um sistema desenvolvido especialmente para proteger um tecido com quase mil anos de existência.
Pela primeira vez desde que foi feita, a obra volta a ser exibida em solo inglês. A exposição no British Museum vai de 10 de setembro de 2026 a 11 de julho de 2027. Depois, ela retorna à Normandia, para um museu novo, construído para recebê-la.
Lã e linho estão entre os materiais mais frágeis que existem. A obra chega inteira ao décimo século de vida pelo cuidado de quem a guardou, geração após geração, e não pela resistência do que foi usado para fazê-la.
Quase mil anos depois, a história continua sendo contada.

