Entre 9 e 11 de junho de 2026, times da Turim, da Tori e da Vita estiveram no The Boca Raton Resort, na Flórida, para o Wealth Management EDGE, uma das principais conferências do setor de gestão patrimonial nos Estados Unidos. A edição reuniu mais de 2 mil profissionais, entre eles cerca de mil consultores financeiros, e mais de 250 palestrantes, em painéis organizados por três frentes: investimentos, produtividade e crescimento.
Pela Tori participaram Ricardo Guimarães, CEO, Arthur Mello e Tharcisio Santos, co-CIOs, e Claudia Salles, sócia da área comercial, ao lado de Luiza Queiroz, head de Comunicação Estratégica do Grupo Turim. Quatro temas organizaram o que ouvimos.
Sucessão é o maior risco da década, e ele começa antes da transmissão. A transferência de patrimônio em curso nos Estados Unidos deve movimentar cerca de 84 trilhões de dólares até 2045, e os números apresentados nos painéis mostram onde está o atrito. Boa parte dos clientes de alto patrimônio não pretende manter a firma que atendia os pais, e uma fatia expressiva das firmas nunca conversou com os filhos de seus clientes. A formulação que ficou do painel de próxima geração foi direta: não existe engajar cedo demais, existe engajar tarde demais. O pior cenário, e o mais comum, é conhecer os herdeiros durante uma crise, quando decisões difíceis precisam ser tomadas com um profissional desconhecido.
Um dado comportamental chamou atenção: o fluxo se inverteu. Cada vez mais são os filhos adultos, entre 40 e 55 anos, que trazem os pais para a conversa, e não o contrário. Eles acionam o tema diante de sinais concretos, como concentração excessiva de portfólio ou a necessidade de reorganizar o patrimônio depois de um divórcio tardio.
Quem organiza a complexidade sustenta a relação. O painel dedicado a multi-family offices propôs uma definição mais rigorosa do termo, que anda usado com pouco critério no mercado: um MFO se mede pela profundidade e pela complexidade da relação, e não pelo volume de ativos sob gestão. O serviço aparece quando a casa resolve planejamento multigeracional, sucessão, estruturação, governança e coordenação jurídica, funcionando como ponto único de contato da vida financeira da família. Três pilares foram apresentados como definidores: aconselhamento independente e livre de conflitos, serviços integrados em vez de terceirizações avulsas, e soluções individualizadas para cada família. O desafio que ninguém resolveu no palco é manter essa individualização em escala.
A tecnologia devolve tempo, e o tempo volta para a relação. A adoção de IA no setor americano é ampla e rasa: a maioria dos profissionais já usa alguma ferramenta, e uma minoria tem processos de fato automatizados. A maior aplicação apareceu onde se esperava menos, no back office, e não no atendimento. Onde há risco regulatório ou de alocação, o consenso foi manter a validação humana em cada etapa. O resumo que circulou nos painéis é que a tecnologia é ferramenta, e não substituto: o profissional com boa tecnologia supera o profissional sem ela, e nenhuma ferramenta substitui o profissional.
A pergunta que os clientes fazem mudou. A abertura do dia dedicado a grandes patrimônios contou o caso de uma matriarca de terceira geração que procurou a firma sem querer falar de retorno. Queria saber se estava fazendo a coisa certa com o patrimônio ao realocar uma doação. A palestrante sustentou que a indústria foi treinada para responder como fomos no trimestre e não para responder estamos fazendo isso direito. Um detalhe rendeu conversa: uma cliente questionou por que o setor fala em metáforas de guerra e caça, como bater o mercado e puxar o gatilho. O time dela reescreveu o vocabulário em torno de constância, proteção e progresso, palavras que sinalizam parceria.
A leitura que se repetiu ao longo do evento é consistente com o que orienta a Tori: tecnologia a serviço de relações mais profundas, e não em substituição a elas. Crescimento sustentável nasce de disciplina, de coordenação e de uma relação cuidada ao longo das gerações.

